⚠️ Ferramenta de apoio à decisão clínica. Os gráficos apresentados são esquemáticos (ilustrativos da morfologia típica) e não substituem a leitura do exame real, a audiometria formal nem o julgamento clínico. Os valores de referência podem variar com a idade, o equipamento e o protocolo utilizado.
O audiograma representa o limiar auditivo (a intensidade mais baixa, em dB HL, a que cada som é ouvido) por frequência (Hz). O eixo horizontal vai dos graves (125 Hz) aos agudos (8000 Hz); o vertical vai de −10 dB (topo, sons fracos) a 120 dB (fundo, sons fortes). Quanto mais baixo no gráfico, pior a audição.
A via aérea testa todo o trajeto (ouvido externo → médio → interno). A via óssea testa diretamente a cóclea. Um GAP >10 dB entre as duas indica componente condutivo (problema no ouvido externo/médio). Sem GAP, a perda é neurossensorial.
| Grau | Limiar (dB HL) | Impacto funcional |
|---|---|---|
| Normal | ≤ 25 dB | Audição normal |
| Ligeira | 26–40 dB | Dificuldade com fala baixa ou em ruído |
| Moderada | 41–55 dB | Fala normal difícil; conversas abafadas |
| Mod. severa | 56–70 dB | Dificuldade mesmo em ambiente calmo |
| Severa | 71–90 dB | Fala quase impercetível sem amplificação |
| Profunda | > 90 dB | Sons do dia-a-dia inaudíveis sem apoio |
Os limites exatos variam ligeiramente entre fontes. Perdas entre categorias descrevem-se como combinação (ex: "moderada a severa").
Padrões característicos no audiograma
A timpanometria avalia a função do ouvido médio medindo a mobilidade do tímpano (compliance/admitância) em função da pressão aplicada no canal. O eixo horizontal é a pressão (daPa); o vertical é a compliance (ml/mmho). O pico ocorre quando a pressão no canal iguala a do ouvido médio.
① Pressão do pico (normal −100 a +50 daPa) → função da trompa de Eustáquio. ② Altura/compliance do pico (normal ~0,3–1,6 ml) → fluido, rigidez ou hipermobilidade. ③ Volume do canal (ECV) (normal 0,6–2,0 cm³) → distingue perfuração (volume alto) de cerúmen/oclusão (volume baixo).
| Tipo | Morfologia | Significado típico |
|---|---|---|
| A | Pico normal (−100 a +50 daPa, compliance normal) | Ouvido médio normal |
| As | Pico baixo (shallow), pressão normal | Rigidez: otosclerose, timpanosclerose |
| Ad | Pico muito alto (deep) | Hipermobilidade: desarticulação ossicular, tímpano flácido |
| B | Plano, sem pico | Líquido (OME), ou perfuração (ver ECV) |
| C | Pico desviado para pressão negativa (<−100/−150 daPa) | Disfunção da trompa de Eustáquio, retração |
Padrões do timpanograma
Introduza a média de tons puros (PTA, 500/1000/2000 Hz) de cada via. A ferramenta classifica o grau e o tipo de perda.
Introduza os valores medidos para obter o tipo de Jerger e o significado clínico.
| Quadro | Audiograma | Timpanograma | Weber / Rinne |
|---|---|---|---|
| Normal | Aérea e óssea ≤25 dB, sem GAP | Tipo A | Weber central · Rinne + bilateral |
| Condutiva | GAP >10 dB (óssea normal) | B / C / As | Weber lateraliza p/ ouvido afetado · Rinne − |
| Neurossensorial | Sem GAP (aérea = óssea) | Tipo A | Weber lateraliza p/ ouvido são · Rinne + |
| Mista | GAP + óssea também alterada | B / C / As | Variável |
O diapasão (512 Hz) é um rastreio de cabeceira que ajuda a confirmar o audiograma — não o substitui. Falsos-negativos do Rinne ocorrem na perda neurossensorial profunda unilateral (o som transmite-se pelo crânio ao ouvido contralateral).
- 1Anamnese — uni/bilateral, início (súbito vs gradual), sintomas associados (acufeno, vertigem, otorreia, otalgia), exposição a ruído, ototóxicos, antecedentes familiares.
- 2Otoscopia — cerúmen, perfuração, líquido, retração, colesteatoma. Resolver causas externas (ex: cerúmen) antes de interpretar exames.
- 3Diapasão (Weber/Rinne) — orienta condutiva vs neurossensorial à cabeceira.
- 4Audiograma — grau (PTA) + tipo (GAP?) + configuração (descendente, entalhe, etc.).
- 5Timpanograma — confirma a função do ouvido médio (fluido, pressão, perfuração).
- 6Integrar e decidir — tratar causa reversível, referenciar conforme sinais de alarme.
• Perda neurossensorial SÚBITA (horas a dias) → emergência ORL (janela terapêutica com corticoides; idealmente <72h)
• Perda unilateral / assimétrica inexplicada → excluir schwannoma vestibular (RM)
• Acufeno pulsátil ou unilateral persistente
• Hipoacusia com sinais neurológicos focais (parésia facial, alterações do V/VII par)
• Otorreia crónica, retração ou suspeita de colesteatoma
• Hipoacusia + vertigem incapacitante
• Perda condutiva persistente (avaliar otosclerose, disfunção ossicular)
• OME persistente >3 meses (sobretudo em crianças com impacto na linguagem)
• Candidatura a prótese auditiva / reabilitação
• Perda progressiva ou flutuante (ex: suspeita de Ménière)
• Criança com qualquer hipoacusia confirmada (impacto no desenvolvimento)
Condutiva: rolhão de cerúmen, otite média aguda, OME (otite serosa), perfuração timpânica, otosclerose.
Neurossensorial: presbiacusia (a mais comum, bilateral e descendente), perda induzida por ruído (entalhe a 4 kHz), ototóxicos, Ménière (graves), súbita idiopática, schwannoma vestibular (assimétrica).
- StatPearls / NCBI Bookshelf. Audiogram Interpretation. ncbi.nlm.nih.gov
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