Ecocardiograma — Guia de Parâmetros
Cardiologia — Guia de Referência

Ecocardiograma Formal

Parâmetros avaliados, valores de referência e significado clínico — guia estruturado para uso clínico diário.

O que avalia um Ecocardiograma Formal?
O eco transtorácico (ETT) 2D/Doppler é o pilar da avaliação cardíaca não invasiva. Combina imagem morfológica com hemodinâmica funcional.
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Estrutura e Dimensões

Tamanho das cavidades, espessura das paredes, geometria ventricular e pericárdio.

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Função Sistólica

FEVE, encurtamento fraccional, contractilidade regional (cinética segmentar).

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Função Diastólica

E/A, E/e', volume auricular, TDE — grau de disfunção diastólica.

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Válvulas

Gradientes, áreas valvulares, severidade de estenose e regurgitação.

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Pressões

Estimativa de PSAP, PAD e pressões de enchimento.

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Outros

Aorta, pericárdio, VD, veia cava inferior, função auricular.

Modos de aquisição
2D — morfologia, dimensões, cinética
M-Mode — medições temporais precisas
Doppler PW — fluxos de baixa velocidade (E/A, TSVD)
Doppler CW — gradientes altos (estenoses, IT)
Doppler Cor — detecção de regurgitações, shunts
TDI — velocidades miocárdicas (e')
Dimensões e Estrutura
Avaliação morfológica das câmaras cardíacas e paredes — base para diagnóstico de hipertrofia, dilatação e remodelagem.
Normal
Borderline
Anormal
DVIVE
Diâmetro do VE em diástole
Dimensão interna do VE no final da diástole (M-Mode / 2D)
▼
ValorClassificação
≤ 58 mm (♂) / ≤ 52 mm (♀)Normal
59–63 mm (♂) / 53–57 mm (♀)Levemente aumentado
> 63 mm (♂) / > 57 mm (♀)Dilatação
Significado clínico: Dilatação do VE sugere sobrecarga de volume (regurgitações valvulares crónicas, shunts) ou cardiomiopatia dilatada. Um VE progressivamente maior com FEVE preservada pode ser sinal precoce de doença. Indexar à superfície corporal melhora a comparação entre doentes.
SIV / PP
Espessura do septo e parede posterior
M-Mode em telediastole
▼
ValorClassificação
6–9 mmNormal
10–12 mmHipertrofia ligeira
13–15 mmHipertrofia moderada
≥ 16 mmHipertrofia severa
Significado clínico: Espessura aumentada indica hipertrofia do VE — causa mais comum é HTA. Hipertrofia assimétrica do septo (SIV:PP > 1.3) sugere cardiomiopatia hipertrófica (CMH). Espessura ≥ 15 mm com padrão granular e história familiar obriga a excluir CMH ou amiloidose cardíaca. Avaliar sempre em conjunto com IMVE e geometria.
IMVE
Índice de Massa do VE
Massa / superfície corporal — determina HVE
▼
Fórmula de Devereux
Massa VE = 0.8 × [1.04 × (DVIVE + SIV + PP)³ − DVIVE³] + 0.6 g
ValorClassificação
≤ 115 g/m² (♂) / ≤ 95 g/m² (♀)Normal
> 115/95 g/m²HVE
Significado clínico: HVE é factor de risco cardiovascular independente. Combinar IMVE com espessura relativa das paredes (ERP = 2×PP/DVIVE) permite classificar a geometria: hipertrofia concêntrica (IMVE↑ + ERP > 0.42 — pior prognóstico), hipertrofia excêntrica (IMVE↑ + ERP normal), remodelagem concêntrica (IMVE normal + ERP↑).
AE
Volume da Aurícula Esquerda (VAE)
Indexado à SC — biomarcador de carga diastólica crónica
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Valor (indexado)Classificação
≤ 34 mL/m²Normal
35–41 mL/m²Levemente aumentado
42–48 mL/m²Moderadamente aumentado
> 48 mL/m²Severamente aumentado
Significado clínico: A AE é o "barômetro" da disfunção diastólica crónica — reflecte pressões de enchimento elevadas ao longo do tempo. VAE aumentado associa-se a FA, eventos tromboembólicos e pior prognóstico em IC. É um dos 4 parâmetros da classificação de disfunção diastólica da ASE 2016. Sempre medir por método biplanar (Simpson) e indexar.
Função Sistólica do VE
Avalia a capacidade de ejecção do ventrículo esquerdo — a FEVE é o parâmetro central, mas não é o único.
FEVE
Fracção de Ejecção do VE
Método de Simpson biplanar (recomendado) — % de sangue ejectado
▼
Cálculo
FEVE = (VTD − VTS) / VTD × 100
ValorClassificação
≥ 55%Preservada (HFpEF)
41–54%Ligeiramente reduzida (HFmrEF)
≤ 40%Reduzida (HFrEF)
Significado clínico: A FEVE define o fenótipo de IC (HFpEF / HFmrEF / HFrEF) e guia toda a terapêutica. FEVE < 35% é critério para CDI/CRT. Importante: FEVE pode ser "normal" mesmo com disfunção sistólica sub-clínica — daí a importância do GLS.
FEVE < 35% em contexto de IC com terapêutica optimizada ≥ 3 meses → avaliar indicação para CDI/CRT (ESC 2021).
GLS
Strain Longitudinal Global
Speckle tracking — detecção precoce de disfunção
▼
ValorClassificação
≤ −20% (mais negativo)Normal
−16% a −19%Borderline
> −16% (menos negativo)Reduzido
Significado clínico: O GLS é mais sensível que a FEVE para detectar disfunção sistólica sub-clínica (ex: cardiotoxicidade por quimioterapia, cardiopatia hipertensiva precoce). Uma queda > 15% do valor basal durante quimio é sinal de alerta. Alterações regionais do GLS (padrão em "borboleta" apical) sugerem amiloidose cardíaca.
ITV-TSVD
Integral Velocidade-Tempo na TSVD
Doppler PW — surrogate do débito cardíaco
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ValorInterpretação
≥ 18–20 cmDébito adequado
< 18 cmDébito baixo
Débito Cardíaco
DC = ITV-TSVD × área TSVD × FC
Significado clínico: ITV-TSVD < 18 cm com FEVE aparentemente preservada pode indicar baixo débito oculto (low-flow low-gradient). Útil na avaliação da estenose aórtica de baixo fluxo e na monitorização hemodinâmica em unidades de cuidados intensivos. Reprodutível e facilmente seriável.
Cinética Segmentar
Wall Motion Score Index (WMSI)
Avaliação regional da contractilidade (17 segmentos AHA)
▼
ScoreDescrição
1Normal
2Hipocinesia
3Acinesia
4Discinesia
Significado clínico: A distribuição dos segmentos afectados permite inferir o território coronário responsável. Acinesia apical extensa sugere envolvimento da DAE proximal. Discinesia da parede inferior aponta para CD ou CX. WMSI > 1.7 associa-se a pior prognóstico pós-EAM. Essencial no contexto de dor torácica aguda e avaliação de viabilidade.
Função Diastólica
Avalia o relaxamento e a rigidez do VE. Parâmetros obtidos por Doppler transmitral (PW) e Doppler tecidular (TDI). Classificação pela ASE/EACVI 2016.
E / A
Rácio E/A transmitral
Doppler PW na válvula mitral — reflecte enchimento ventricular
▼
E = velocidade de enchimento precoce (passivo, gradiente AE→VE)  |  A = contracção auricular (activo)
E/APadrãoGrau
0.8–1.5 (com outros parâmetros normais)NormalGrau 0
< 0.8Relaxamento alteradoGrau I
0.8–1.5 (indeterminado)PseudonormalGrau II
> 2RestritivoGrau III
Significado clínico: O E/A isolado é insuficiente para classificar disfunção diastólica — o padrão pseudonormal (E/A 0.8–1.5) pode ser confundido com normal. Para distinguir, usa-se a manobra de Valsalva (E/A cai > 0.5 → pseudonormal) ou os outros parâmetros diastólicos (e', E/e', VAE). Padrão restritivo (III) é o de pior prognóstico e associa-se a pressões de enchimento muito elevadas.
E/e'
Rácio E/e' (E sobre e-prime)
Estimativa não invasiva das pressões de enchimento do VE
▼
e' = velocidade diastólica precoce do anel mitral por TDI (septal e/ou lateral)
E/e' médioInterpretação
≤ 8Pressões normais
9–13Zona cinzenta
≥ 14Pressões de enchimento ↑
Referência por localização
e' septal: normal ≥ 7 cm/s  |  e' lateral: normal ≥ 10 cm/s
E/e' médio = E / [(e' sep + e' lat) / 2]
Significado clínico: É o parâmetro mais robusto para estimar a PDFVE (pressão diastólica final do VE). E/e' ≥ 14 equivale aproximadamente a PDFVE > 15 mmHg. Central no diagnóstico de HFpEF (algoritmo HFA-PEFF). Pode sobrestimar pressões em doentes com fibrose anular extensa, e subestimar em jovens atletas. Usar sempre em conjunto com VAE e velocidade de IT.
e'
Velocidade e' do anel mitral (TDI)
Relaxamento miocárdico activo — menos dependente da pré-carga
▼
LocalizaçãoNormalAnormal
Septal≥ 7 cm/s< 7 cm/s
Lateral≥ 10 cm/s< 10 cm/s
Significado clínico: e' reduzido reflecte relaxamento miocárdico lentificado — a anomalia diastólica mais precoce. Ao contrário de E, e' é relativamente independente da pré-carga, o que o torna ideal para distinguir disfunção diastólica verdadeira de estados de alto débito (ex: anemia, exercício). Declina com a idade — valores de referência ajustados por idade são recomendados.
TDE
Tempo de Desaceleração da onda E
Reflecte a rigidez do VE durante o enchimento rápido
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TDEInterpretação
160–240 msNormal
> 240 msRelaxamento alterado (Grau I)
< 160 msRestritivo (Grau III)
Significado clínico: TDE prolongado → câmara rígida que desacelera o fluxo lentamente (relaxamento alterado). TDE curto (< 160 ms) → padrão restritivo com câmara muito rígida e pressões muito elevadas — enchimento rápido mas abruptamente limitado. TDE < 160 ms no contexto de EAM anterior extenso é marcador de mau prognóstico.
TRIV
Tempo de Relaxamento Isovolumétrico
Intervalo entre fecho da Ao e abertura da mitral
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TRIVInterpretação
70–90 msNormal
> 90 msRelaxamento lentificado
< 60 msPressões de enchimento ↑
Significado clínico: TRIV prolongado → relaxamento lento (Grau I). TRIV curto → a mitral abre quase imediatamente porque a pressão da AE supera rapidamente a queda de pressão do VE — sinal de pressões muito elevadas (padrão restritivo). Complementar ao E/A e TDE na caracterização do grau de disfunção diastólica.
Doença Valvular
Avaliação das quatro válvulas — gradientes por Doppler CW, áreas por equação de continuidade/PHT, e quantificação de regurgitações por Doppler cor e volumetria.
EA — Estenose
Estenose Aórtica
Gradiente médio, Vmáx e Área Valvular Aórtica (AVA)
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ParâmetroLigeiraModeradaSevera
Vmáx (m/s)2.0–2.93.0–3.9≥ 4.0
Gradiente médio< 20 mmHg20–39 mmHg≥ 40 mmHg
AVA (cm²)> 1.51.0–1.5< 1.0
Equação de Continuidade (AVA)
AVA = (ITV-TSVD × área TSVD) / ITV-AO
Significado clínico: EA severa sintomática (síncope, angina, dispneia) tem mortalidade > 50% a 2 anos sem intervenção → indicação para TAVI ou SAVR. EA de baixo fluxo/baixo gradiente: AVA < 1.0 com gradiente < 40 mmHg — importante distinguir EA severa verdadeira de pseudo-severa (eco de stress com dobutamina). Calcificação valvular avaliada por score de Agatston em TAC complementar.
IA — Regurgitação
Insuficiência Aórtica
PHT, PISA, vena contracta — severidade da regurgitação
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ParâmetroLigeiraModeradaSevera
Vena contracta (mm)< 33–6> 6
PHT (ms)> 500200–500< 200
ERO (cm²)< 0.100.10–0.29≥ 0.30
Vol. regurg. (mL)< 3030–59≥ 60
Significado clínico: IA crónica severa → sobrecarga de volume → dilatação progressiva do VE. Critérios de cirurgia: DVIVE > 50 mm ou FEVE < 50%. PHT curto indica regurgitação severa com equiparação rápida das pressões AO-VE. IA aguda (endocardite, dissecção) é emergência — PHT muito curto, FEVE pode estar "normal" mas DC cai precipitosamente.
EM — Estenose
Estenose Mitral
PHT mitral, área valvular mitral (AVM), gradiente médio
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ParâmetroLigeiraModeradaSevera
AVM (cm²)> 1.51.0–1.5< 1.0
Grad. médio (mmHg)< 55–10≥ 10
PSAP (mmHg)< 3030–50> 50
PHT — Pressure Half-Time
AVM = 220 / PHT
Significado clínico: Sequela clássica de febre reumática. AVM < 1.5 cm² com sintomas → PTBM (valvuloplastia por balão) se score de Wilkins ≤ 8. Hipertensão pulmonar secundária é complicação frequente. PHT subestima AVM em estados de alta pré-carga ou após PTBM imediata — usar planimetria 3D quando disponível.
IM — Regurgitação
Insuficiência Mitral
PISA, ERO, volume regurgitante, vena contracta
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ParâmetroLigeiraModeradaSevera
Vena contracta (mm)< 33–6.9≥ 7
ERO (cm²)< 0.200.20–0.39≥ 0.40
Vol. regurg. (mL)< 3030–59≥ 60
Fr. regurg. (%)< 3030–49≥ 50
Significado clínico: IM primária (prolapso, rotura de cordas) vs. secundária (isquémica/funcional) têm mecanismos e tratamentos diferentes. IM severa primária sintomática → cirurgia. IM secundária: optimização médica e CRT se indicado; cirurgia/MitraClip em casos seleccionados. Rotura aguda do músculo papilar (EAM) → edema pulmonar fulminante — emergência cirúrgica.
Estimativa de Pressões
O eco-Doppler permite estimar de forma não invasiva as pressões pulmonares e de enchimento — fundamentais na avaliação de IC e hipertensão pulmonar.
PSAP
Pressão Sistólica da Artéria Pulmonar
Via velocidade de IT + PAD estimada pela VCI
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Equação de Bernoulli modificada
PSAP = 4 × V²(IT) + PAD estimada

PAD estimada por VCI: VCI < 21 mm + colapso > 50% → PAD 3 mmHg | VCI > 21 mm sem colapso → PAD 15 mmHg
PSAPClassificação
< 36 mmHgNormal / Improvável HTP
36–50 mmHgPossível HTP
> 50 mmHgHTP provável
Significado clínico: PSAP > 35 mmHg em repouso define hipertensão pulmonar ecocardiográfica (confirmação por cateterismo direito: PAP média ≥ 20 mmHg). Causas: HTP de grupo 1 (arterial), grupo 2 (cardíaca esquerda — a mais comum), grupo 3 (pulmonar), etc. PSAP muito elevada (> 70 mmHg) com VD severamente dilatado → HTP pré-capilar severa → investigação urgente.
VCI
Veia Cava Inferior
Diâmetro e colapso inspiratório — estima a PAD
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VCIColapsoPAD estimada
≤ 21 mm> 50%3 mmHg (0–5)
≤ 21 mm< 50%8 mmHg (5–10)
> 21 mm> 50%8 mmHg (5–10)
> 21 mm< 50%15 mmHg (10–20)
Significado clínico: VCI dilatada sem colapso → congestão venosa sistémica → IC direita, pericardite constritiva, tamponamento. Importante: atletas de resistência podem ter VCI dilatada fisiologicamente. Em ventilados, a interpretação é diferente (pressão positiva). A VCI é também usada para guiar fluidoterapia em contexto de UCI.
Outros Parâmetros Relevantes
Avaliação do ventrículo direito, aorta, pericárdio e parâmetros adicionais de rotina.
TAPSE
Tricuspid Annular Plane Systolic Excursion
Função sistólica do VD — excursão do anel tricúspide em M-Mode
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TAPSEInterpretação
≥ 17 mmFunção VD normal
< 17 mmDisfunção sistólica VD
Significado clínico: TAPSE < 17 mm associa-se a pior prognóstico na IC, HTP, TEP e cardiopatias congénitas. É simples e reprodutível mas avalia apenas o movimento longitudinal (subestima a função circunferencial). Complementar com S' TDI do anel tricúspide (normal ≥ 9.5 cm/s) e FAC do VD (normal ≥ 35%).
VD
Dimensões e Morfologia do VD
Dilatação e hipertrofia do ventrículo direito
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ParâmetroNormalAnormal
Diâmetro basal VD≤ 41 mm> 41 mm
Espessura parede VD≤ 5 mm> 5 mm (HVD)
Rácio VD/VE (área)< 0.6≥ 1 = dilatação severa
Significado clínico: VD dilatado com septo interventricular achatado ("D-sign") em sístole → sobrecarga de pressão (HTP, TEP). Achatamento em diástole → sobrecarga de volume (CIA). HVD (parede > 5 mm) sugere HTP crónica. Em TEP maciço agudo, a dilatação do VD com disfunção (TAPSE baixo) tem implicações terapêuticas imediatas (trombólise, embolectomia).
Aorta
Dimensões da Aorta
Raiz aórtica e aorta ascendente — rastreio de aneurismas
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NívelNormalAlerta
Anel aórtico< 25 mm (♀) / < 27 mm (♂)—
Seios de Valsalva≤ 38 mm (♀) / ≤ 40 mm (♂)> 45 mm
Aorta ascendente≤ 35 mm> 45 mm
Significado clínico: Aorta ≥ 45 mm → vigilância semestral e restrição de esforços intensos. Aorta ≥ 50–55 mm (conforme contexto e etiologia) → cirurgia electiva. Dilatação da raiz em adulto jovem → excluir Marfan (critérios de Ghent), válvula aórtica bicúspide (VAB — a anomalia congénita mais frequente). VAB acelera a dilatação aórtica — monitorização regular obrigatória.
Pericárdio
Derrame Pericárdico e Tamponamento
Quantificação e sinais hemodinâmicos de compromisso
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DimensãoClassificação
< 10 mmLigeiro
10–20 mmModerado
> 20 mmGrave
Sinais de tamponamento: Colapso diastólico da AD/VD, variação respiratória > 25% dos fluxos transmitral/tricúspide (pulso paradoxal eco), VCI dilatada sem colapso. O tamponamento é diagnóstico clínico + eco — não esperar por todos os critérios. Pericardiocentese guiada por eco de urgência.
Colapso diastólico do VD = tamponamento até prova em contrário → pericardiocentese imediata.