Para diagnosticar definitivamente uma GIU é necessário visualizar uma vesícula vitelina (saco vitelino) ou polo fetal dentro de um saco gestacional no interior do útero. Não diagnosticar GIU apenas com o saco gestacional.
| Estrutura | Eco Transvaginal | Eco Transabdominal | Significado |
|---|---|---|---|
| Saco gestacional | 4–5 sem | Pouco fiável < 6 sem | Estrutura anecoica, redonda, com bordo ecogénico, no terço superior do fundo uterino. |
| Saco vitelino | 5 sem | 6–7 sem | Anel ecogénico circular com centro anecoico, excêntrico no saco. Primeiro sinal definitivo de GIU. |
| Polo fetal | 5,5–6 sem | 7 sem | Embrião adjacente ao saco vitelino. Visível por via TV quando tem 2–4 mm. |
| Atividade cardíaca | CRL 5–7 mm | — | Deve estar presente com CRL ≥ 5–7 mm. Medir por M-mode (menor energia). |
💡 Zona discriminatória β-hCG: espera-se GIU visível por via transvaginal com β-hCG 1000–2000 mIU/mL e por via transabdominal com 3000–5000 mIU/mL. Abaixo destes valores, a ausência de GIU não exclui gravidez viável.
Diâmetro Médio do Saco (DMS / MSD)
Usado antes do polo fetal aparecer. Média de 3 planos (altura, comprimento, largura) do saco gestacional.
Comprimento Crânio-Caudal (CCC / CRL)
Método mais preciso de datação assim que existe polo fetal. Medir em plano médio-sagital, do topo da cabeça ao fim do tronco.
Estruturas esperadas por DMS — Saco vitelino: TV 8 mm / TA 20 mm · Polo fetal: TV 16 mm / TA 25 mm. Plano médio-sagital evita subestimar o CCC.
Saco Gestacional + Saco Vitelino
Anel ecogénico com centro anecoico, excêntrico no saco. Confirma GIU.
Sinal da Dupla Decídua
Dois anéis ecogénicos à volta do saco. Sugestivo de GIU precoce (não diagnóstico isolado).
Polo Fetal + CCC
Embrião adjacente ao saco vitelino. Medir CCC em plano médio-sagital (método mais preciso).
🔴 Gravidez Ectópica
Qualquer gravidez fora do útero. A maioria é tubária (ampola). Procurar tubal ring sign (anel hiperecogénico espesso), ring of fire (Doppler), líquido no fundo de saco de Douglas. Objetivo: confirmar GIU para tornar ectópica improvável. Saco + polo fetal com FCF fora do útero = diagnóstico de ectópica.
🟡 Quisto do Corpo Lúteo
Semelhante a ectópica tubária. Move-se com o ovário (a ectópica move independentemente). Anel tubário mais fino e menos ecogénico. Líquido mais claro/anecoico.
🔶 Pseudo-saco gestacional
Coleção de fluido que imita saco gestacional. Forma irregular/pontiaguda, bordo menos ecogénico, com ecos no interior, na cavidade uterina (não na decídua). Sem saco vitelino/embrião. Ocorre em 9–20% das ectópicas.
🔴 Gravidez Molar
Aspeto em "tempestade de neve" com múltiplas estruturas císticas. β-hCG muito elevado (>100.000 mIU/mL nas completas). Pode ter quistos teca-luteínicos nos ovários.
| Tipo de aborto | Clínica | Ecografia |
|---|---|---|
| Ameaça de aborto | Hemorragia vaginal com gravidez viável | GIU normal |
| Aborto inevitável | Hemorragia + colo dilatado, produtos retidos | GIU normal ou produtos junto ao colo |
| Aborto incompleto | Expulsão parcial de produtos | Produtos de conceção retidos |
| Aborto completo | Expulsão total, hemorragia parou | Útero vazio, não gravídico |
| Aborto retido (missed) | Feto inviável, sem expulsão | GIU sem atividade cardíaca / sem movimento |
No 2.º e 3.º trimestre, a biometria estima peso e idade gestacional. Menos precisa que o CCC do 1.º trimestre, mas útil. O pacote de cálculo OB calcula automaticamente.
| Medição | Plano / Referências | Técnica |
|---|---|---|
| DBP — Diâmetro Biparietal | Transverso da cabeça ao nível dos tálamos: foice mediana, tálamos, cavum do septo pelúcido. NÃO ver hemisférios cerebelosos. | Caliper perpendicular à foice. Proximal: fora do parietal; distal: dentro do parietal. |
| PC — Perímetro Cefálico | Mesmo plano do DBP. | Elipse à volta do crânio. Sem elipse: medir OFD; máquina calcula via DBP+OFD. |
| PA — Perímetro Abdominal | Transverso do abdómen superior: seio portal, veia umbilical, estômago. NÃO ver rins. | Elipse à volta do abdómen. Mais sensível ao crescimento/peso fetal. |
| CF — Comprimento do Fémur | Eixo longo do fémur. | Calipers em cada extremidade da diáfise óssea. |
DBP + PC + PA + CF combinados estimam o peso fetal (EPF). Tabelas de referência por IG: sonoworld.com / ISUOG.
DBP & PC — Cabeça
Plano dos tálamos: foice, tálamos, cavum do septo pelúcido. DBP perpendicular à foice (externo→interno). PC = elipse à volta do crânio.
PA — Perímetro Abdominal
Ver seio portal/veia umbilical (em gancho), estômago. NÃO ver rins. Elipse à volta do perímetro. Mais sensível ao peso fetal.
CF — Comprimento do Fémur
Eixo longo do fémur. Calipers em cada extremidade da diáfise ossificada (não incluir epífises cartilagíneas).
Erros a Evitar
Garantir plano correto e simétrico. Cortes oblíquos sobrestimam/subestimam as medições.
Medir a bolsa vertical mais profunda de líquido, com o caliper na vertical, livre de partes fetais e cordão umbilical.
Orientação longitudinal da sonda (marcador cefálico): a esquerda da imagem é cefálica/fundo e a direita da imagem é caudal/colo da mãe. Na apresentação cefálica, a cabeça fetal aparece à direita da imagem (junto ao colo).
Apresentação Cefálica
Cabeça voltada para o colo (à direita da imagem). Apresentação normal para parto vaginal.
Apresentação Pélvica (Breech)
Nádegas ou pés voltados para o colo (à direita). Cabeça no fundo. Pode indicar cesariana.
Situação Fetal (eixos)
Eixo da coluna fetal vs materna: longitudinal (paralela), oblíqua, ou transversa (perpendicular).
Placenta normal: ecogenicidade uniforme, margens arredondadas, área hipoecoica retroplacentária, inserção do cordão central, espessura média 2–4 cm.
🔴 Placenta Prévia
Placenta cobre o orifício interno do colo. Hemorragia vaginal indolor. Baixa insersão: a < 2 cm do orifício interno. Ecografia transvaginal é preferida. Se cobre o orifício no início do trabalho de parto → cesariana.
🔴 Espectro Acreta
Proliferação excessiva para o miométrio. Fatores de risco: cirurgia uterina prévia, placenta prévia. Sinais: miométrio fino/descontínuo (<1 mm), ausência de espaço hipoecoico retroplacentário, lacunas placentares ("queijo suíço") com fluxo turbulento. Acreta → increta → percreta.
🟡 Descolamento (Abruptio)
Separação prematura da placenta da parede uterina. Difícil diagnóstico ecográfico. Sinais: "jello sign" (placenta "treme" com pressão), coleção retro/pré-placentária sem fluxo, heterogeneidade, espessura variável. Hemorragia aguda é hipo/isoecoica; hiperecoica após 1–2 sem.
✅ Localização da placenta
Varrer de superior para inferior, esquerda-direita em plano sagital. Identificar margens. Se feto cria artefacto sobre placenta posterior, varrer lateralmente.
A atividade cardíaca é essencial para avaliar viabilidade. Deve estar visível com CCC de 5–7 mm. Usar M-mode em vez de Doppler pulsado (menor energia de ultrassom para o feto).
| Idade gestacional | FCF normal | Notas |
|---|---|---|
| 6–7 semanas | 100–120 bpm | FCF mais lenta no início. Bradicardia < 100 bpm é sinal de mau prognóstico. |
| 8 semanas | 145–170 bpm | Pico fisiológico da FCF por volta das 8–9 semanas. |
| 9+ semanas | 120–160 bpm | Estabiliza no intervalo normal mantido durante a gravidez. |
📐 Como medir (M-mode): 1) Localizar o coração fetal e otimizar profundidade. 2) Colocar cursor M-mode sobre o coração e ativar. 3) Abrir pacote OB e colocar cursores verticais num ciclo cardíaco (algumas máquinas usam 2 ciclos). 4) A máquina calcula a FCF automaticamente.
Colocar os calipers entre dois picos consecutivos (1 ciclo). A FCF = 60 / intervalo (s).
Sonda convexa (curvilínea) ou phased array. Preset pélvico/abdómen. Bexiga cheia preferível no 1.º trimestre.
Sonda endocavitária. Sinais de gravidez mais precoces. Bexiga vazia. Preservativo/luva estéril + gel estéril. Acompanhante presente.
DPP = 1.º dia da última menstruação (DUM) + 9 meses + 7 dias. Estima IG antes da ecografia.
"As Low As Reasonably Achievable". Minimizar exposição: preferir M-mode a Doppler, limitar tempo e potência.
- POCUS 101Genobaga S, Dinh V et al. Obstetric/OB Ultrasound Made Easy: Step-By-Step Guide. POCUS 101. Protocolo de aquisição, datação, FCF, biometria e patologia.
- NEJM 2013Doubilet P, Benson C et al. Diagnostic Criteria for Nonviable Pregnancy Early in the First Trimester. N Engl J Med 2013;369(15):1443-51.
- RG 2017Fadl S, Moshiri M et al. Placental Imaging: Normal Appearance with Review of Pathologic Findings. RadioGraphics 2017;37(3):979-998.
- ISUOGInternational Society of Ultrasound in Obstetrics & Gynecology — Practice Guidelines (biometria fetal e datação).
- POCUS AtlasThe POCUS Atlas — OB/GYN. Imagens de referência de achados normais e patológicos.
Estima a idade gestacional a partir das medições ecográficas. Útil quando a máquina não tem pacote de cálculo OB.
CCC: método mais preciso de datação. Medir em plano médio-sagital.
Se medir o intervalo de 1 ciclo cardíaco em M-mode, calcula a FCF e compara com o normal para a idade gestacional.
A partir do 1.º dia da última menstruação (DUM).
Ferramenta de referência clínica — não substitui julgamento clínico individual nem ecografia obstétrica formal. Baseada em POCUS 101, NEJM 2013, RadioGraphics 2017 e ISUOG.